Isso tem nome

Atlas das Violências Cotidianas
e Estratégias de Enfrentamento

Dar nome é o primeiro passo para combater: aqui você encontra conceitos, exemplos e caminhos de enfrentamento para reconhecer e interromper violências cotidianas.

Violência Simbólica

Viés de proximidade

Muito forte no pós-pandemia, o "proximity bias", é a tendência inconsciente (ou consciente) da liderança em favorecer, promover e dar melhores projetos para quem está fisicamente presente no escritório, em detrimento de quem está remoto. Como mulheres e pessoas com deficiência tendem a optar mais pelo remoto por questões de acessibilidade e cuidado familiar, isso gera uma segregação silenciosa de carreira. No Brasil, a pesquisa de André Miceli, pesquisador de futuro do trabalho, tem analisado como a cultura brasileira de "controle visual" (o chefe precisa ver para crer que está trabalhando) exacerba o viés de proximidade no Brasil.

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Corpo e Capacidade

Vigilância de testosterona

Política discriminatória de entidades esportivas que controla e pune atletas mulheres (majoritariamente negras e do Sul Global) com níveis naturais de testosterona considerados 'altos', impondo intervenções médicas forçadas em nome de uma suposta 'justiça' biológica.

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Raça e Etnia

Vigilância preditiva

Uso de algoritmos de Inteligência Artificial para prever crimes e identificar 'suspeitos' com base em dados históricos viciados, resultando no policiamento excessivo de bairros negros e periféricos e na reprodução automatizada do racismo estrutural.

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Classe e Sociedade

Violência geracional

A violência geracional refere-se a agressões, abusos, negligências e opressões que ocorrem baseadas na hierarquia de idade e poder dentro de uma sociedade ou família. Ela se manifesta em duas direções principais: do adulto contra a criança/adolescente (Adultocentrismo) e do adulto jovem contra o idoso (Etarismo/Velhofobia).

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Política, Estado e Justiça

Violência institucional

Violência praticada por agentes públicos ou privados no exercício de suas funções, seja por ações diretas (agressões, abusos) ou por omissões sistemáticas (negação de acesso, negligência), que reproduzem desigualdades e violam direitos fundamentais.

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Gênero e Sexualidade

Violência obstétrica

Práticas e condutas desrespeitosas, abusivas ou negligentes que ocorrem durante a gestação, parto, puerpério e abortamento, perpetradas por profissionais de saúde em instituições de saúde, violando a autonomia e dignidade da mulher.

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Raça e Etnia

Violência obstétrica racializada

É a manifestação do racismo estrutural na assistência ao parto, resultando em tratamento desigual, negligente e desumano contra mulheres negras e indígenas. Inclui desde a crença racista de que 'mulheres negras sentem menos dor' até a mortalidade materna evitável desproporcional.

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Classe e Sociedade

Violência patrimonial

Conduta que configura a retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens ou recursos econômicos, visando controlar e subjugar a mulher.

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Classe e Sociedade

Violência policial

Uso desproporcional, ilegal ou excessivo da força por agentes do Estado, operando como um mecanismo de controle social que atinge majoritariamente corpos negros e territórios periféricos.

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Política, Estado e Justiça

Violência política

Atos de intimidação, agressão, ameaça e perseguição contra candidatos, eleitos ou ativistas, com o objetivo de impedir, restringir ou dificultar o exercício de seus direitos políticos. No Brasil, tem crescido de forma endêmica, afetando desproporcionalmente grupos minorizados e ameaçando o Estado Democrático de Direito.

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Gênero e Sexualidade

Violência política de gênero

A violência política de gênero refere-se a atos físicos, sexuais, psicológicos ou simbólicos de agressão, ameaça, assédio ou intimidação cometidos contra mulheres (cis ou trans) com o objetivo de impedir, restringir ou anular o exercício de seus direitos políticos e funções públicas.

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Corpo e Capacidade

Violência psiquiátrica

A violência psiquiátrica refere-se a qualquer ação, omissão ou prática institucional, cometida por profissionais ou sistemas de saúde mental, que viola os direitos humanos, a autonomia e a integridade física ou psicológica de pessoas em sofrimento mental ou neurodivergentes. Isso inclui internações compulsórias e tratamentos degradantes.

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