Atlas das Violências Cotidianas
e Estratégias de Enfrentamento
Dar nome é o primeiro passo para combater: aqui você encontra conceitos, exemplos e caminhos de enfrentamento para reconhecer e interromper violências cotidianas.
Racismo estrutural
Conjunto de práticas, hábitos, situações e falas embutidos nos costumes e nas instituições que privilegiam um grupo racial em detrimento de outros de forma sistêmica. Manifesta-se na configuração política, jurídica e econômica da sociedade.
Racismo recreativo
Uma estratégia de dominação que utiliza o humor, as piadas e o entretenimento para reproduzir estereótipos racistas e manter a supremacia de um grupo dominante, geralmente a branquitude, sobre grupos minoritários.
Racismo religioso
Ataques sistemáticos contra terreiros e símbolos de matriz africana, buscando o apagamento cultural e espiritual negro.
Redlining digital
Configura-se como o uso de tecnologias digitais e algoritmos para segregar, excluir ou limitar sistematicamente o acesso de determinados grupos sociais e áreas geográficas a recursos, serviços e oportunidades.
Relacionamento abusivo
Dinâmica interpessoal caracterizada por um padrão de controle, manipulação e desequilíbrio de poder, onde um parceiro exerce violência física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial sobre o outro, minando sua autonomia e bem-estar.
Saberes subalternos
Os saberes subalternos são formas de conhecimento, tecnologias, filosofias e visões de mundo produzidas por grupos marginalizados (colonizados, escravizados, periféricos) que foram historicamente desqualificados, silenciados ou invalidados pelo paradigma racionalista e eurocêntrico da ciência moderna e pela academia hegemônica.
Sanismo
Semelhante à psicofobia e ao capacitismo, é a discriminação sistemática que privilegia pessoas neurotípicas e "sãs", marginalizando qualquer comportamento ou processamento mental que fuja da norma psiquiátrica estabelecida. Atinge diretamente pessoas com transtornos mentais ou neurodivergentes, baseada em estereótipos de irracionalidade e periculosidade, resultando em exclusão social e violação de direitos.
Sedação social
Processo pelo qual mecanismos sociais, culturais e psicológicos atuam para amortecer a capacidade crítica e a agência dos indivíduos, levando à aceitação passiva de estruturas de poder opressoras. Os indivíduos ou grupos são levados a um estado de passividade, conformidade e aceitação de estruturas de poder e normas sociais, muitas vezes em detrimento de sua autonomia e capacidade crítica.
Sharenting
Prática abusiva de pais, responsáveis e adultos em geral que compartilham excessivamente fotos, vídeos e dados de crianças nas redes sociais, criando uma pegada digital e permanente.
Síndrome da Smurfette
Um fenômeno narrativo onde uma única personagem feminina é incluída em um grupo predominantemente masculino, servindo principalmente para representar o gênero feminino em sua totalidade, limitando a diversidade e complexidade da representação feminina.
Slut shaming
Prática de humilhar mulheres por seus comportamentos sexuais reais ou presumidos, visando controlar sua liberdade corporal através da vergonha.
Solidão masculina
Isolamento afetivo vivido por homens devido à incapacidade de construir laços de intimidade emocional profunda com outros homens, gerando dependência exclusiva da parceira amorosa.
