Atlas das Violências Cotidianas
e Estratégias de Enfrentamento
Dar nome é o primeiro passo para combater: aqui você encontra conceitos, exemplos e caminhos de enfrentamento para reconhecer e interromper violências cotidianas.
Narcopentecostalismo
Fenômeno político-religioso e criminal, observado principalmente no Rio de Janeiro, onde facções do narcotráfico adotam discursos e estéticas neopentecostais, promovendo a perseguição sistemática e violenta contra religiões de matriz africana (terreiros), configurando uma forma extrema de racismo religioso armado.
Necropolítica
Uso do poder político para decidir quem deve viver e quem deve morrer, manifestando-se na negligência estatal em periferias e violência policial. Embora criado pelo camaronês Achille Mbembe, o termo é central na sociologia brasileira atual para explicar a segurança pública nas favelas. Define o poder do Estado não apenas de "deixar viver", mas de ditar quem pode morrer e quais corpos são "matáveis" (geralmente jovens, negros e periféricos) sem que isso gere comoção nacional.
Negligência racial na dor
Fenômeno onde pessoas negras recebem tratamento inadequado ou insuficiente para a dor (incluindo anestesia e analgésicos), devido a crenças racistas historicamente enraizadas na medicina, como a falsa ideia de que indivíduos negros possuem maior tolerância à dor ou 'pele mais grossa', resultando em submedicação e piores desfechos em saúde.
Objetificação de atletas
O processo de reduzir indivíduos que praticam esportes a meros objetos de desejo, espetáculo ou consumo, desconsiderando sua agência, habilidades e complexidade humana.
Objetificação sexual
A objetificação sexual refere-se ao ato de tratar uma pessoa, geralmente uma mulher, como um objeto ou instrumento para o prazer sexual de outra, desconsiderando sua humanidade, autonomia e subjetividade.
Obsolescência programada
Estratégia intencional de fabricantes em projetar produtos para terem vida útil limitada, estimulando o consumo constante e a substituição precoce, gerando impactos ambientais e econômicos para o consumidor.
Olhar masculino (male gaze)
O male gaze, ou olhar masculino, refere-se à forma como as mulheres são frequentemente representadas nas artes visuais e na literatura a partir de uma perspectiva heterossexual e patriarcal, objetificando-as para o prazer do espectador masculino.
Pântano alimentar
Áreas urbanas com alta densidade de estabelecimentos que comercializam predominantemente alimentos ultraprocessados, sobrecarregando o ambiente com opções não saudáveis que superam massivamente a oferta de alimentos frescos.
Patriarcado
Sistema social e cultural onde homens detêm o poder, a autoridade e o privilégio sobre as mulheres e outros gêneros, estabelecendo uma hierarquia que privilegia o masculino em esferas como família, política, economia e cultura. Resulta em desigualdades e na subordinação feminina, manifestando-se desde a estrutura familiar até a violência de gênero, sendo uma construção histórica e não natural, presente em diversas culturas ao longo do tempo.
Perfilamento racial
O perfilamento racial (ou racial profiling) é a prática de agentes de segurança pública e privada de utilizar a raça, cor, etnia, ascendência ou nacionalidade como critério primordial para fundamentar suspeitas criminais, abordagens, buscas e investigações, em vez de se basearem em evidências objetivas ou comportamentos suspeitos específicos. Uso da raça é o critério principal para abordagens policiais, criminalizando corpos negros por sua simples existência.
Pinkwashing
Uso de causas LGBTQIA+ por empresas ou Estados apenas para limpar a imagem e ocultar práticas antiéticas.
Plataformização
Processo social e tecnológico pelo qual plataformas digitais e seus algoritmos reorganizam a economia, trabalho, relações sociais e cultura, incorporando e reproduzindo relações de poder existentes e gerando formas de opressão estrutural.
