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Economia da atenção

Modelo econômico onde a atenção humana é tratada como recurso escasso e monetizável, capturada por plataformas digitais através de design persuasivo e personalização algorítmica.

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Definição

Economia da atenção é um conceito que descreve a dinâmica do capitalismo contemporâneo onde a atenção humana, e não a informação, tornou-se o recurso mais escasso e valioso. Formulado inicialmente pelo economista e psicólogo Herbert Simon no final da década de 1960 ("a riqueza de informação cria a pobreza de atenção"), o termo evoluiu para explicar o modelo de negócios das grandes plataformas digitais (Big Techs).

Neste sistema, o tempo de permanência, o olhar e o engajamento emocional dos usuários são mercadorias que são extraídas, medidas, empacotadas e vendidas a anunciantes. Se no feudalismo o recurso central era a terra, e no capitalismo industrial era o capital/trabalho, no capitalismo digital a disputa é pela capacidade cognitiva limitada dos indivíduos. Quem controla a atenção controla, consequentemente, o consumo, a formação de opinião e o comportamento social.

Como funciona

Para capturar e reter esse recurso fugidio, as plataformas utilizam mecanismos sofisticados de design e psicologia:

  1. Engajamento tóxico: algoritmos que privilegiam conteúdos que geram indignação, medo ou choque, pois emoções negativas retêm a atenção por mais tempo do que conteúdos neutros ou positivos.
  2. Recompensas variáveis: uso de reforços intermitentes (como o pull-to-refresh) que mimetizam jogos de azar para criar hábito e dependência.
  3. Interrupção constante: notificações push desenhadas para quebrar o foco e trazer o usuário de volta à plataforma ("Você tem uma nova lembrança").
  4. Hiperpersonalização: coleta massiva de dados (vigilância) para entregar o estímulo exato que manterá aquele usuário específico conectado naquele momento.

Exemplos

  • YouTube Autoplay: a reprodução automática do próximo vídeo remove o ponto de parada natural, explorando a inércia do usuário para estender o tempo de sessão.

  • Clickbait: manchetes sensacionalistas desenhadas especificamente para explorar a lacuna de curiosidade, muitas vezes entregando conteúdo de baixa qualidade apenas para contabilizar o clique.

  • Feed Algorítmico: a substituição da ordem cronológica (que tem fim) por um feed infinito e curado por relevância (que nunca acaba), desenhado para maximizar o tempo gasto na plataforma.

Quem é afetado

Todos os usuários de tecnologias digitais são afetados, mas a assimetria de poder torna crianças e adolescentes (cujos cérebros estão em desenvolvimento) e populações politicamente polarizadas as vítimas mais diretas. Além disso, a sociedade como um todo sofre com a degradação do debate público, já que a nuance e a complexidade não "vendem" atenção tão bem quanto o extremismo e a simplificação.

Por que é invisível

A economia da atenção opera sob a fachada de "gratuidade". O usuário acredita que é o cliente do Google ou Facebook, quando na verdade é o produto (ou, mais precisamente, a matéria-prima). A interface amigável e a conveniência dos serviços mascaram a infraestrutura de extração comportamental que roda nos bastidores, fazendo com que a perda de autonomia pareça uma escolha pessoal de entretenimento.

Efeitos

  • Erosão da autonomia: decisões de consumo e políticas são sutilmente manipuladas por arquiteturas de escolha que beneficiam os anunciantes.
  • Crise de saúde mental: aumento de ansiedade, depressão e transtornos de imagem ligados à comparação social constante e à necessidade de validação.
  • Fragmentação social: a criação de "bolhas de filtro" onde cada grupo só vê o que confirma suas crenças, inviabilizando o consenso democrático.
  • Esgotamento cognitivo: a sobrecarga de estímulos reduz a capacidade de reflexão profunda, leitura atenta e pensamento crítico.

Referências (BR)

  • Anna Bentes
  • Dora Kaufman
  • Tarcízio Silva
  • Rafael Grohmann

Referências (Internacionais)

  • Herbert Simon
  • Tim Wu
  • Michael Goldhaber
  • Shoshana Zuboff
  • Yves Citton
  • Tristan Harris

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