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Zona do Não-Ser

Conceito fundamental de Frantz Fanon que descreve a condição ontológica do sujeito racializado no mundo colonial. É um 'espaço' simbólico e social de desumanização onde negros e indígenas não são reconhecidos como humanos plenos, ficando sujeitos à violência gratuita e à invisibilidade ética.

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Definição

Definição Completa

A Zona do Não-Ser é um conceito filosófico e sociológico apresentado por Frantz Fanon em sua obra seminal "Pele Negra, Máscaras Brancas" (1952). Fanon argumenta que o mundo colonial (e o mundo moderno racista que deriva dele) é dividido em dois compartimentos estanques:

  1. A Zona do Ser: Onde habitam os brancos (o colonizador). Aqui, os sujeitos têm direitos, humanidade, individualidade e seus conflitos são resolvidos através da linguagem, da lei e do reconhecimento mútuo.
  2. A Zona do Não-Ser: Onde são jogados os negros e racializados (o colonizado). É uma região "extraordinariamente estéril e árida", onde a humanidade do sujeito é negada. Aqui, a violência não é uma exceção, mas a regra de gestão.

Estar na Zona do Não-Ser significa que, independente de quanto dinheiro ou instrução um negro possua, sua existência é sempre precária. Ele precisa provar constantemente que é humano, mas o olhar branco o devolve sempre à condição de "coisa" ou "animal".

Como funciona

O mecanismo central é a desrealização do outro.

  • Suspensão da Ética: Na Zona do Ser, matar alguém é um escândalo. Na Zona do Não-Ser, a morte é estatística. A ética e a empatia "desligam" quando o sujeito branco olha para a Zona do Não-Ser.
  • Violência Permanente: O que separa as zonas é uma barreira intransponível, uma "linha abissal" que divide o mundo entre a lei e a ausência dela. Do lado de cá (Ser), regulação e emancipação; do lado de lá (Não-Ser), apropriação e violência.

Quem é afetado

Populações negras, indígenas e refugiados do Sul Global. No Brasil, a favela pode ser compreendida geograficamente como a materialização da Zona do Não-Ser: um território onde a polícia entra atirando (lógica de guerra) de uma forma que jamais faria em um bairro nobre (Zona do Ser).

Por que é invisível

É invisível porque a estrutura de mundo ocidental foi montada para que a Zona do Ser pareça a única realidade existente. A filosofia, a ciência e a mídia narram a história da humanidade a partir da Zona do Ser. O sofrimento e a morte na Zona do Não-Ser não comovem porque aqueles corpos não são vistos como vidas que importam (como aponta Judith Butler).

Efeitos

  • Neurose e Alienação: Fanon, como psiquiatra, focou no impacto mental. O negro na Zona do Não-Ser desenvolve complexos de inferioridade e o desejo de "ser branco" (máscaras brancas) como única forma de tentar acessar a humanidade.
  • Permissividade para o Genocídio: Se o outro não é ser, matá-lo não é crime, é limpeza ou defesa (lógica do "bandido bom é bandido morto").

Exemplos

  • Violência Policial: O tratamento diferenciado dado a um jovem branco com maconha no Leblon (Zona do Ser) versus um jovem negro desarmado na favela (Zona do Não-Ser).
  • Crise de Refugiados: A comoção seletiva entre refugiados ucranianos (brancos/Ser) e refugiados africanos ou palestinos (Não-Ser) morrendo no Mediterrâneo ou em Gaza.

Como funciona

O mecanismo central é a desrealização do outro.

  • Suspensão da Ética: Na Zona do Ser, matar alguém é um escândalo. Na Zona do Não-Ser, a morte é estatística. A ética e a empatia "desligam" quando o sujeito branco olha para a Zona do Não-Ser.
  • Violência Permanente: Como explica Boaventura de Sousa Santos (baseado em Fanon), o que separa as zonas é uma "linha abissal". Do lado de cá (Ser), regulação e emancipação; do lado de lá (Não-Ser), apropriação e violência.

Exemplos

  • Violência Policial: O tratamento diferenciado dado a um jovem branco com maconha no Leblon (Zona do Ser) versus um jovem negro desarmado na favela (Zona do Não-Ser).

  • Crise de Refugiados: A comoção seletiva entre refugiados ucranianos (brancos/Ser) e refugiados africanos ou palestinos (Não-Ser) morrendo no Mediterrâneo ou em Gaza.

Quem é afetado

Populações negras, indígenas e refugiados do Sul Global. No Brasil, a favela pode ser compreendida geograficamente como a materialização da Zona do Não-Ser: um território onde a polícia entra atirando (lógica de guerra) de uma forma que jamais faria em um bairro nobre (Zona do Ser).

Por que é invisível

É invisível porque a estrutura de mundo ocidental foi montada para que a Zona do Ser pareça a única realidade existente. A filosofia, a ciência e a mídia narram a história da humanidade a partir da Zona do Ser. O sofrimento e a morte na Zona do Não-Ser não comovem porque aqueles corpos não são vistos como vidas que importam (como aponta Judith Butler).

Efeitos

  • Neurose e Alienação: Fanon, como psiquiatra, focou no impacto mental. O negro na Zona do Não-Ser desenvolve complexos de inferioridade e o desejo de "ser branco" (máscaras brancas) como única forma de tentar acessar a humanidade.
  • Permissividade para o Genocídio: Se o outro não é ser, matá-lo não é crime, é limpeza ou defesa (lógica do "bandido bom é bandido morto").

Referências (BR)

  • Neusa Santos Souza
  • Silvio Almeida
  • Grada Kilomba

Referências (Internacionais)

  • Frantz Fanon
  • Lewis Gordon
  • Achille Mbembe

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