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Tráfico de pessoas

Crime transnacional e grave violação de direitos humanos que consiste no recrutamento, transporte e exploração de pessoas por meio de ameaça, força ou fraude. Visa a exploração sexual, trabalho escravo, extração de órgãos ou servidão doméstica, transformando seres humanos em mercadorias lucrativas.

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Definição

O Tráfico de Pessoas é a mercantilização da vida humana. Juridicamente, o Protocolo de Palermo (da ONU) o define como o recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas, utilizando-se de ameaça, uso da força, coação, rapto, fraude ou abuso de poder, para fins de exploração.

Essa exploração assume diversas faces: desde a exploração sexual (que afeta majoritariamente mulheres e meninas cis e trans), passando pelo trabalho análogo à escravidão (comum em lavouras e confecções clandestinas), até a remoção de órgãos e a adoção ilegal. No Brasil, a Lei nº 13.344/2016 modernizou o combate a esse crime, reconhecendo que a vítima nem sempre é transportada para fora do país (tráfico interno) e que o consentimento inicial da pessoa torna-se irrelevante se houve fraude ou coação.

Como funciona

O mecanismo central é a vulnerabilidade. Os aliciadores ("gatos" ou agenciadores) identificam pessoas em situações de miséria, desemprego ou violência familiar e oferecem uma "saída milagrosa": um emprego de modelo na Europa, uma vaga de construção civil em outro estado ou uma oportunidade de estudo.

O ciclo segue três etapas:

  1. Recrutamento: A promessa falsa e o endividamento inicial (a vítima "já deve" a passagem e o visto).
  2. Transporte/Acolhimento: O isolamento da vítima em local desconhecido, com a retenção de seus documentos (passaporte, identidade).
  3. Exploração: A vítima é forçada a trabalhar para pagar uma dívida impagável, sob ameaças constantes a ela ou a sua família.

Exemplos

  • Oficinas de Costura (Sweatshops): Imigrantes bolivianos mantidos em cárcere privado em São Paulo, costurando para grandes marcas sob ameaça de deportação.

  • Exploração Sexual em Garimpos: Mulheres levadas para "currutelas" na Amazônia, onde são obrigadas a se prostituir para pagar dívidas de transporte inflacionadas.

  • Tráfico de Órgãos: Redes que aliciam pessoas pobres para venderem rins ou córneas para transplantes ilegais em países ricos.

Quem é afetado

Embora qualquer um possa ser vítima, o perfil é marcado pela desigualdade: pessoas negras, pobres, indígenas e mulheres constituem a maioria absoluta.

  • Tráfico Sexual: Mulheres e pessoas LGBTQIA+ (especialmente travestis) traficadas para a Europa ou para áreas de garimpo e grandes obras no Brasil.
  • Tráfico Laboral: Homens imigrantes (bolivianos, haitianos) e trabalhadores rurais do Nordeste aliciados para colheitas ou oficinas têxteis no Sudeste.

Por que é invisível

É invisível porque opera nas sombras da economia formal e se aproveita de populações que o Estado já ignora. Muitas vezes, a sociedade confunde a vítima com um "criminoso" (no caso da prostituição ou imigração ilegal), o que dificulta a denúncia. O agressor também cria barreiras psicológicas, convencendo a vítima de que ela é cúmplice ou de que será presa se procurar a polícia.

Efeitos

  • Morte Civil: A pessoa perde sua identidade legal (sem documentos) e social (isolada da família).
  • Danos Físicos e Psicológicos: Doenças sexuais não tratadas, exaustão física extrema, mutilações e traumas severos.
  • Lucro do Capitalismo Gore: O tráfico humano gera bilhões de dólares anuais, sendo uma das economias ilegais mais lucrativas do mundo, ao lado do tráfico de drogas e armas.

Referências (BR)

  • Ministério da Justiça e Segurança Pública
  • ONG Asbrad

Referências (Internacionais)

  • Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC)
  • Protocolo de Palermo

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