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Misinformação

Compartilhamento de informações falsas sem a intenção de causar dano. Ocorre quando o emissor acredita genuinamente na veracidade do conteúdo, tornando-se um vetor involuntário de inverdades.

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Definição

Misinformação refere-se à disseminação de informações falsas ou incorretas onde não há intenção deliberada de enganar ou causar dano. Diferentemente da desinformação (que envolve dolo e fabricação intencional) e da malinformação (uso de dados reais para prejudicar, como vazamentos de privacidade), a misinformação é caracterizada pelo erro genuíno.\n\nO conceito ganhou relevância global através do relatório do Conselho da Europa (2017), elaborado por Claire Wardle e Hossein Derakhshan, que classificaram a "Desordem da Informação" em três tipos. Na misinformação, o agente propagador (seja uma tia no WhatsApp ou um amigo no bar) atua de boa-fé, acreditando estar ajudando ou alertando sua rede de contatos, desconhecendo a falsidade do conteúdo.

Como funciona

A misinformação opera através de redes de confiança e gatilhos emocionais. O conteúdo geralmente apela para sentimentos primários como medo ("alerta de sequestro"), esperança ("cura milagrosa") ou indignação.\n\n1. Recepção: O indivíduo recebe uma mensagem de uma fonte confiável (familiar, amigo).\n2. Validação Emocional: O conteúdo confirma crenças prévias (viés de confirmação) ou gera uma reação emocional imediata que suprime o pensamento crítico.\n3. Compartilhamento Altruísta: A pessoa compartilha a mensagem acreditando estar prestando um serviço de utilidade pública ("preciso avisar os outros").\n4. Viralização Orgânica: Diferente de bots, a misinformação se espalha organicamente, o que a torna mais difícil de ser detectada por algoritmos anti-spam.

Exemplos

  • A "Cura" do Limão: Durante a pandemia, circulou massivamente a ideia de que água com limão prevenia o vírus.

  • Fotos Fora de Contexto: Compartilhar uma foto de uma enchente de 2010 achando que é da enchente atual.

  • Datas Erradas: Repassar um aviso de "arrastão no centro" que ocorreu há 5 anos.

Quem é afetado

Todos os estratos sociais são suscetíveis, mas estudos indicam que a misinformação afeta desproporcionalmente:\n* Idosos e Nativos Digitais Recentes: Que podem ter dificuldade em distinguir fontes jornalísticas de sites apócrifos.\n* Populações em Crise: Durante emergências (como a pandemia de COVID-19 ou enchentes), a ansiedade coletiva baixa a guarda cognitiva, facilitando a circulação de boatos.

Por que é invisível

A misinformação é "invisível" como problema moral porque é camuflada de boa intenção. Quem compartilha não se vê como parte do problema, mas como um "cidadão alerta". Além disso, a arquitetura das redes sociais, que prioriza o engajamento sobre a veracidade, amplifica esses conteúdos antes que o fact-checking possa atuar. A correção (errata) raramente alcança o mesmo público que a mentira original.

Efeitos

  • Danos à Saúde Pública: Adoção de tratamentos ineficazes ou recusa de vacinas baseada em boatos de "efeitos colaterais" inexistentes.\n* Pânico Social: Corridas a supermercados ou bancos provocadas por rumores infundados de desabastecimento.\n* Erosão da Epistemologia: Quando o erro se torna onipresente, a confiança em instituições de conhecimento (ciência, imprensa) é minada, pois a "verdade" passa a ser aquilo que chega pelo grupo da família.

Referências (BR)

  • Carlos Affonso Souza
  • Eugênio Bucci

Referências (Internacionais)

  • Claire Wardle
  • Hossein Derakhshan

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