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Idadismo

Termo oficial adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para designar os estereótipos (como pensamos), preconceitos (como nos sentimos) e a discriminação (como agimos) em direção às pessoas com base na idade.

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Definição

O idadismo (do inglês ageism) refere-se aos estereótipos (pensamentos), preconceitos (sentimentos) e discriminação (ações) dirigidos a pessoas com base em sua idade. Embora frequentemente utilizado como sinônimo de etarismo, o termo "idadismo" é a nomenclatura técnica preferida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em seus relatórios globais, pois enfatiza a estrutura sistêmica da discriminação que pode atingir qualquer faixa etária, não apenas os idosos. Enquanto "etarismo" no uso popular brasileiro muitas vezes foca especificamente na exclusão de idosos no mercado de trabalho ou na estética, o idadismo é um conceito guarda-chuva que abrange três dimensões: o idadismo institucional (leis e normas), o interpessoal (interações diárias) e o autoidadismo (quando a própria pessoa internaliza o preconceito contra sua idade).

Como funciona

O idadismo opera através da naturalização de características baseadas na idade cronológica, ignorando a diversidade individual. Ele funciona em três níveis:

  1. Institucional: Políticas de aposentadoria compulsória baseadas puramente na idade, ou ensaios clínicos que excluem idosos sistematicamente.
  2. Interpessoal: Linguagem infantilizada (elderspeak) ao tratar idosos ("vovozinho", "queridinha") ou desdém pela opinião de jovens ("você não tem experiência de vida").
  3. Autodirecionado: Quando a própria pessoa acredita que é "velha demais" para aprender algo novo ou "jovem demais" para ter responsabilidade, limitando seu próprio potencial devido a crenças internalizadas.

Exemplos

  • Infantilização em Ambientes de Saúde: Profissionais de saúde que falam com pacientes idosos como se fossem crianças, ignorando sua autonomia nas decisões de tratamento.

  • Exclusão no Mercado de Trabalho: Anúncios de emprego que pedem "equipe jovem e dinâmica" ou "recém-graduados", excluindo implicitamente profissionais seniores, ou a recusa em promover jovens competentes por "falta de tempo de casa".

  • Tecnologia Excludente: Design de aplicativos e serviços digitais que não consideram as necessidades de acessibilidade de diferentes faixas etárias, assumindo que idosos são "inaptos digitais".

  • Mídia e Publicidade: Representação de idosos apenas em propagandas de remédios ou fraldas geriátricas, ou de jovens como viciados em telas e alienados.

Quem é afetado

Embora onipresente, o idadismo afeta grupos de maneiras distintas:

  • Pessoas Idosas: Frequentemente vistas como frágeis, dependentes ou "ultrapassadas", sofrendo exclusão digital e no mercado de trabalho.
  • Pessoas Jovens: Muitas vezes rotuladas como irresponsáveis, preguiçosas ou excessivamente dependentes, tendo suas competências profissionais subestimadas.
  • Interseccionalidade: O impacto é agravado quando combinado com outras formas de discriminação, como sexismo e racismo. Mulheres idosas, por exemplo, sofrem uma "dupla invisibilidade".

Por que é invisível

O idadismo é socialmente aceito e normalizado de uma forma que o racismo e o sexismo não são mais. É comum encontrar cartões de aniversário que ridicularizam o envelhecimento ou produtos de beleza rotulados como "anti-idade", sugerindo que envelhecer é algo a ser combatido. Essa onipresença na cultura pop, na linguagem cotidiana e na mídia torna difícil identificar o idadismo como uma violação de direitos humanos, sendo frequentemente justificado como "biologia" ou "ordem natural das coisas".

Efeitos

Os impactos do idadismo são profundos e mensuráveis:

  • Saúde Física e Mental: A OMS associa o idadismo a uma menor expectativa de vida (pessoas com atitudes negativas sobre o envelhecimento vivem em média 7,5 anos menos), aumento do estresse cardiovascular e maiores taxas de depressão.
  • Isolamento Social: A internalização de estereótipos leva ao afastamento social e à solidão.
  • Prejuízo Econômico: A exclusão de pessoas mais velhas da força de trabalho custa bilhões às economias globais e desperdiça capital humano experiente.

Referências (BR)

  • Organização Mundial da Saúde (OMS) - Brasil
  • Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Referências (Internacionais)

  • World Health Organization (WHO)
  • Robert Butler

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