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Gatekeeping

Prática de controlar o acesso a algo, seja informação, recursos, oportunidades ou espaços sociais, frequentemente exercido por indivíduos ou grupos que detêm alguma forma de poder ou autoridade.

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Definição

Gatekeeping, ou 'controle de acesso', é um conceito que descreve a ação de indivíduos ou grupos que regulam o fluxo de informações, recursos ou oportunidades dentro de um sistema social. Essa regulação pode ocorrer de forma consciente ou inconsciente, e seus efeitos são a restrição ou permissão de entrada para determinados membros em um grupo, campo profissional ou espaço social. O termo foi originalmente cunhado por Kurt Lewin no contexto da dinâmica de grupos e, posteriormente, ampliado para diversas áreas, incluindo a comunicação e os estudos de gênero.

No contexto das relações de gênero, o gatekeeping pode se manifestar quando mulheres, por exemplo, controlam o acesso de outras mulheres a certos espaços ou recursos, baseando-se em critérios subjetivos ou em normas sociais internalizadas. Isso pode ocorrer em ambientes profissionais, acadêmicos ou mesmo em círculos sociais, onde a aceitação ou exclusão de uma mulher por outra é mediada por julgamentos sobre sua adequação ou conformidade a padrões específicos.

Como funciona

O gatekeeping opera através da imposição de barreiras ou da criação de critérios de elegibilidade que, embora nem sempre explícitos, determinam quem pode ou não participar de um determinado ambiente ou usufruir de certas vantagens. No âmbito das relações entre mulheres, isso pode se traduzir em julgamentos sobre a aparência, comportamento, escolhas de vida ou atitudes de outras mulheres. A pessoa que exerce o gatekeeping atua como um "porteiro", decidindo quem é "digna" de acesso ou reconhecimento.

Este mecanismo pode ser sutil, manifestando-se em comentários depreciativos, exclusão de conversas, negação de apoio ou até mesmo em boicotes velados. A base para esses julgamentos muitas vezes reside em normas sociais patriarcais internalizadas, que levam algumas mulheres a reproduzir padrões de rivalidade e desconfiança, em vez de solidariedade. A validação de uma mulher por outra pode depender de sua conformidade com um ideal feminino específico, gerando um ambiente de constante avaliação e competição.

Exemplos

  • Uma mulher em posição de liderança que minimiza as conquistas de uma colega ou se recusa a mentorá-la, alegando que ela "não tem o perfil".

  • Um grupo de amigas que exclui uma nova integrante por considerá-la "muito diferente" ou por não se encaixar em seus padrões de comportamento.

  • Mulheres que criticam publicamente as escolhas de vestuário ou estilo de vida de outras mulheres, julgando-as como "inadequadas" ou "provocadoras".

Quem é afetado

As principais afetadas pelo gatekeeping são as mulheres que buscam inserção, reconhecimento ou apoio em espaços dominados por outras mulheres ou em ambientes onde a solidariedade feminina seria esperada. Isso inclui mulheres em início de carreira, mulheres que desafiam normas sociais de gênero, ou aquelas que são percebidas como "diferentes" ou "ameaçadoras" por alguma razão. A exclusão e o julgamento podem levar a sentimentos de isolamento, baixa autoestima e dificuldades em construir redes de apoio.

Por que é invisível

O gatekeeping é frequentemente invisível porque suas manifestações podem ser sutis e difíceis de identificar como uma forma de violência ou exclusão. Muitas vezes, é justificado como "crítica construtiva", "preocupação" ou "proteção do grupo", mascarando a intenção de controle e exclusão. Além disso, a internalização de normas patriarcais faz com que muitas mulheres não reconheçam que estão reproduzindo comportamentos que prejudicam outras mulheres, vendo seus julgamentos como meras opiniões pessoais ou avaliações objetivas. A falta de um nome específico para essa dinâmica no cotidiano também contribui para sua invisibilidade.

Efeitos

Os efeitos do gatekeeping são multifacetados e prejudiciais. Para as mulheres que sofrem essa exclusão, pode haver um impacto significativo na saúde mental, resultando em ansiedade, depressão e sentimentos de inadequação. No âmbito profissional, o gatekeeping pode limitar o avanço de carreira, o acesso a oportunidades e a construção de redes de apoio essenciais. Socialmente, ele mina a solidariedade feminina, fomentando a rivalidade e a desconfiança entre mulheres, o que enfraquece o movimento feminista e a luta por equidade de gênero.

Referências (BR)

  • Muniz Sodré

Referências (Internacionais)

  • Kurt Lewin

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